Ás e asno

Não lembro de quase nada, esqueço dias, horários, o prazo para pagar contas, o aniversário de amigos queridos, erro a letra das minhas músicas favoritas, acabo trocando em miúdos e misturo disco do Neruda com livro do Pixinguinha.

No entanto, não esqueço que ontem vi um adesivo de carro com os dizeres: “Motorista normal: nem ás no volante, nem asno volante”, nunca tinha visto esse trocadilho, pesquisei na internet e descobri que ele é comum em algumas tirinhas, mas em forma de adesivo automotivo não achei referências.

O motorista que ouviu esse trocadilho também não foi capaz de esquece-lo, além disso ele achou que essa descrição era excelente para definir sua habilidade ao volante, o motorista normal teve então que tirar as medidas do porta-malas do carro, ir até uma gráfica e mandar fazer um adesivo sob medida. Acho que antes disso, deve ter escutado boas reclamações sobre sua direção.

O Ás me fez lembrar que joguei cartas muitas vezes, mas nunca consegui decorar os quatro naipes do baralho, para mim é difícil associar cada nome ao seu símbolo, e olha que provavelmente já fui exposto à essa informação centenas de vezes ao longo três décadas, mas bastou ter visto por cinco segundos o trocadilho do Ás e isso ficou indelével na memória.

Penso muito em como funcionam nossas lembranças, às vezes me divirto fingindo que poderíamos trocar informações inúteis por conhecimento, dando sequência às analogias com cartas, eu adoraria descartar uma mão com nome de atores e atrizes de novelas dos anos 90 e trocar por algumas letras de música, hoje escolheria essa do Chico Buarque:

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