Palavra de vendedor

— Bom dia doutor, vai uma dúzia de laranja aí?
— Fica pra próxima, hoje não vai dar.
— O Senhor tem certeza? Essas aqui estão especiais, são as últimas que tenho antes de pegar o rumo de casa, passei o dia guardando.
— Hoje não amigo, muito obrigado.
— Por nada doutor, assim é até melhor mesmo. Passei o dia nesse Sol pensando nessas benditas laranjas, agora é passar na venda, pegar um pãozinho com manteiga, não vai ter jantar melhor.
— … bom, vendo assim fiquei foi com vontade mesmo, minha mãezinha costumava deixar pronto para o meu café justamente isso: pão com manteiga e suco de laranja. Está de quanto a dúzia?
— Então doutor, tava de R$10, agora não ta mais né, não vejo a hora de tomar esse suco, vou indo pra casa que moro é longe.
— É brincadeira?
— O que?
— As laranjas?
— É nada, passei o dia pensando nelas…
— Eu entendi, mas agora eu quero comprar!
— Agora não da mais doutor.
— Eu pago R$20!
— Assim o senhor me ofende, não tem dinheiro que pague uma vontade não realizada.
— É brincadeira mesmo né? E se eu tivesse comprado de primeira?
— Aí o senhor ia tomar o suco da sua vida viu! Ia ter que vender né, palavra de vendedor é coisa séria.
— … e você vende mais alguma coisa?
— Se o senhor passa amanhã, tou vendendo umas mangas, o senhor gosta de manga?
— De manga, manga não sou muito chegado.
— Assim é até melhor, porque…
— Vou levar duas mangas, já deixa reservado por favor.

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